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AgTechs brasileiras: juventude, propósito e a corrida pelo protagonismo climático global

O Radar AgTech 2024, mapeamento elaborado pela Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens, revela um ecossistema maduro e dinâmico, onde sustentabilidade, diversidade e conexão com os ODS - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU - tornam-se pilares centrais para o futuro do agro.


Radar

Na interseção entre o campo e a inovação tecnológica, o agro brasileiro vem consolidando uma de suas maiores revoluções: a construção de um ecossistema de startups comprometido não só com produtividade, mas com impacto positivo. O Radar AgTech Brasil 2024  entrega mais do que um retrato estatístico — oferece um mapa estratégico de ação para quem deseja entender e transformar o futuro da agricultura e da pecuária no país.


Nesta análise, mergulhamos nas descobertas mais relevantes do estudo, trazendo uma leitura crítica e construtiva que aponta caminhos, desafios e oportunidades para que o agro nacional assuma de vez seu papel de protagonista na agenda climática global.


AgTechs brasileiras: juventude, propósito e a corrida pelo protagonismo climático global


1. Um ecossistema que respira maturidade e diversidade


Com quase 2 mil startups mapeadas, o Radar AgTech 2024 evidencia que o Brasil já possui um ecossistema estruturado, distribuído entre os três elos da cadeia agropecuária: antes, dentro e depois da fazenda. A continuidade do mapeamento desde 2019 permite não apenas observar tendências, mas identificar com precisão quais áreas avançam com mais velocidade e quais ainda carecem de atenção.


DISTRIBUIÇÃO DAS AGTECHS POR SEGMENTO
Fonte: Radar AgTech Brasil 2024

2. Sustentabilidade deixa de ser discurso e se torna negócio


A maior transformação do Radar 2024 talvez seja o crescimento das agtechs nas categorias ligadas à sustentabilidade:

  • Biodiversidade e sustentabilidade aumentaram a participação desde 201, de 35 para 84 startups, com um crescimento em relação ao total de 3,4 para 4,3%;

  • Créditos de carbono, seguros e análise fiduciária saltaram de 24 startups em 2019 para 97 em 2024, com um crescimento em relação ao total de 2,4% para 4,9%;

  • Alimentos inovadores e novas tendências alimentares lideram o pós-fazenda com 275 startups.

ATIVIDADES DAS AGTECHS POR SEGMENTO
Fonte: Radar AgTech Brasil 2024

Esses dados sinalizam que, cada vez mais, inovação no agro está conectada a impacto ambiental e social — o que inclui redução de emissões, regeneração de ecossistemas, novos modelos alimentares e finanças verdes.

Iniciativas como a da ESGpec — startup que desenvolve ferramentas digitais para mensurar e melhorar indicadores de sustentabilidade, carbono e bem-estar animal em propriedades leiteiras — demonstram como o ecossistema de inovação está se sofisticando ao integrar ciência de dados, diagnóstico ambiental e impacto real no campo. Com soluções que dialogam diretamente com os compromissos assumidos pelo Brasil na agenda climática, empresas como a ESGpec evidenciam o potencial das agtechs brasileiras para ocupar um lugar estratégico nas cadeias globais de valor sustentável.

3. Startups jovens, conectadas aos ODS e ao futuro


Quase dois terços das startups surgiram depois de 2018. Essa juventude traz com ela uma nova mentalidade: mais aberta à colaboração, às agendas globais (como os ODS) e à incorporação de ESG desde o nascimento. É a geração que vê o agro não apenas como produção, mas como propósito.


4. Investimento e ambientes de inovação: a importância da rede


O Radar revela a presença de mais de 450 ambientes de inovação, entre hubs, parques tecnológicos, aceleradoras e incubadoras. A governança e a articulação desses ambientes são destacadas como fator crítico de sucesso.


Apesar disso, ainda há desafios no acesso a capital semente e na conexão entre atores. O setor demanda mais pontes entre pesquisa aplicada, investidores e produtores. Fundos especializados e corporate ventures aparecem como forças emergentes, mas precisam de continuidade e escala.


5. Oportunidade de ouro: COP30 e a reputação verde do Brasil


O relatório propõe uma visão ousada: aproveitar a COP30 como vitrine para a inovação agroambiental brasileira. Isso exige que o país invista em governança, comunicação e políticas que valorizem quem já está fazendo certo — e que impulsione quem quer começar.


Além disso, reforça-se que diversidade e inclusão são tendências estratégicas, ainda pouco exploradas, mas fundamentais para a legitimidade das soluções criadas por esse ecossistema.


Conclusão: mais que mapa, um chamado à ação


O Radar AgTech 2024 não é apenas um levantamento técnico — é um chamado. Mostra que o Brasil tem o que é preciso para ser líder mundial em produção de alimentos com baixa emissão, mas que precisa remover obstáculos e acelerar decisões.


Com o campo mais conectado, jovens empreendedores comprometidos com propósito, e uma rede de inovação em expansão, a janela de oportunidade está aberta. Resta saber: quem vai atravessá-la primeiro?


O relatório completo está disponível em: https://radaragtech.com.br/


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